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Os Estados Unidos e os “bad guys”

Luisa Soares | Canal C

 

A ordem executiva assinada por Donald Trump, que suspendia a entrada de refugiados no país e impedia igualmente a entrada de cidadãos provenientes de sete países de maioria muçulmana, mesmo que fossem estudantes ou já tivessem residência permanente nos EUA, pretendia, segundo o Presidente, proteger o país de ataques de “terroristas islâmicos radicais”.

O argumento, que levou Trump a “twittar” frases como “Se certas pessoas forem autorizadas [a entrar] será morte e destruição”, é uma falácia. Na verdade, os Estados Unidos não necessitam de terroristas islâmicos para causar morte e destruição no país; eles próprios se têm encarregado do assunto, sem necessidade de apoio externo. Senão, vejamos.

De acordo com o Gun Violence Archive, em 2013 morreram nos Estados Unidos 12.461 pessoas vítimas de armas de fogo (excluídos os 21.175 suicídios), tendo ainda 73.505 ficado feridas. Tudo em actos praticados por cidadãos norte-americanos, contra cidadãos norte-americanos.

Em 2015, o número de mortos subiu para os 13.286 (excluindo igualmente os suicídios). Mas, se analisarmos apenas os tiroteios em massa, verificamos que, nesse mesmo ano de 2015, ocorreram 333 tiroteios, dos quais resultaram 369 mortos e 1.328 feridos. A definição de tiroteio em massa refere-se a um único incidente, do qual resultam, pelo menos, 4 mortos ou feridos, sem contar o próprio atirador (o Mass Shooting Tracker regista, para o mesmo ano, 372 ocorrências, com um total de 475 mortos e 1.870 feridos mas, aqui, os atiradores são incluídos nas contagens). Verdadeiramente assustador é o facto de 64 dos massacres terem ocorrido em escolas.

Só entre 1 de Janeiro e 10 de Fevereiro do corrente ano de 2017, já tiveram lugar 36 tiroteios em massa nos Estados Unidos, que provocaram 42 mortos e 137 feridos. E não houve registo de qualquer ataque terrorista perpetrado por islâmicos radicais; todos os tiroteios foram levados a cabo por norte-americanos, totalmente insanos.

Se excluirmos os suicídios, entre 1968 e 2011 morreram nos Estados Unidos cerca de um milhão e 400 mil pessoas, vítimas de armas de fogo.

Segundo o Departamento de Justiça e o Conselho dos Negócios Estrangeiros norte-americanos, entre 2001 e 2011 morreram em média, por ano, cerca de 11.385 pessoas nos Estados Unidos, em incidentes com armas de fogo.

No mesmo período, a média anual de mortos nos Estados Unidos vítimas de ataques terroristas foi de 517 pessoas. Mas, se excluirmos do cálculo o ano de 2001, em que teve lugar o terrível ataque de 11 de Setembro, esta média desce para os 31 mortos por ano.

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No mesmo período, a média anual de mortos nos Estados Unidos vítimas de ataques terroristas foi de 517 pessoas. Mas, se excluirmos do cálculo o ano de 2001, em que teve lugar o terrível ataque de 11 de Setembro, esta média desce para os 31 mortos por ano.

Afinal, de que lado da fronteira estão os “bad guys”?

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