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Museu Judaico em Alfama, sim, mas não assim

Paulo Ferrero * | Diário de Notícias

 

No Verão passado, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) anunciou que 2017 seria o ano de construção do Museu Judaico de Lisboa. Tratou-se de uma boa notícia para a cidade em termos culturais e turísticos, e um indubitável “faça-se justiça” para com a comunidade judaica e as suas raízes na história de Lisboa, que apenas peca por tardio.

Finalmente, também, tinha-se encontrado forma de garantir o financiamento do museu e a aquisição do espólio respectivo, num total previsto de 2,9 milhões de euros.

Esta verba, segundo foi noticiado, será repartida por CML (um milhão de euros), Fundação Patrick & Lina Draghi (1,2 milhões de euros), fundos noruegueses EEA Grants (312,8 mil euros) – através do Programa AP16 Conservação e Revitalização do Património Cultural e Natural do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu e no âmbito das “Rotas de Sefarad”, sendo estes últimos destinados à aquisição de espólio para o museu. À Associação de Turismo de Lisboa corresponderão 55,2 mil euros, como contrapartida nacional do AP16. O projecto arquitectónico para o museu e para o centro de documentação (são quatro lotes diferentes que darão origem a dois blocos novos) terá sido doado pela arquitecta-autora, no valor de 75 mil euroseuro.

E é exactamente aqui que reside o busílis: não só o projecto tornado público é de tal forma intrusivo e “marca de autor” que, a ser feito tal qual está, constituirá o começo do fim daquilo que hoje conhecemos como Largo de São Miguel, o coração de Alfama (embora não tenha sido exactamente ali o centro da Lisboa judia), como, imagine-se, não houve escrutínio algum, não tendo a população sido ouvida.

“Como assim?”, pensarão alguns: Alfama encontra-se protegida pelo Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (PUNHACC), crendo no disposto nos artigos 5.º, ponto 1.1., alínea a), “Nas intervenções por edifício, em trabalhos de reabilitação ou reconstrução, deve ser mantida a tipologia, utilizando os mesmos materiais, ou compatíveis, não sendo permitidas alterações que desvirtuem as características fundamentais dos edifícios a nível morfológico e construtivo” e 6.º, ponto 1, alíneas a) e b), “(…) as intervenções no tecido edificado devem (…) garantir a preservação dos elementos arquitectónicos e patrimoniais, evitando-se a sua substituição, potenciando e reforçando a imagem singular desta área histórica” ou “As intervenções no âmbito da conservação e reabilitação devem ter por base o edifício (…) utilizando os mesmos materiais da envolvente ou materiais que nela se enquadrem”.

Porquê, então, esta preocupação traduzida no presente artigo?

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* Fundador do Fórum Cidadania Lx

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