(AP Photo/Steven Governo)

PT: Centenas de trabalhadores sem funções na fila para sair

Anabela Campos | Expresso

 

“Já estive envolvido em projetos de grande relevância para a PT, e até para o país, mas hoje para a empresa não passo de lixo. Eu e muitos dos meus colegas”. O lamento e desabafo é de Luísa (nome fictício), uma das cerca de 300 pessoas que a PT Portugal tem atualmente no quadro de mobilidade interna, a maioria sem funções atribuídas, o que é ilegal. É uma espécie de antecâmara para o despedimento negociado ou para a saída voluntária da empresa, e lá estão desde altos quadros (engenheiros, gestores, jurídicos), a trabalhadores menos qualificados. Há de tudo. Há trabalhadores nesta situação em várias regiões do país: Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Faro, só para nomear alguns dos sítios.

Patrick Drahi e Armando Pereira, os novos donos 
da PT Portugal, mudaram 
a vida dos trabalhadores 
e cortaram direitos (Foto: Rui Duarte Silva/Expresso)

“O critério é os que ganham muito, os que ganham pouco, os novos, os velhos. É conforme dá jeito. É kafkiano e as regras do jogo podem mudar a meio, como aconteceu com a avaliação de 2015 e 2016”, ironiza João (nome fictício), um quadro de topo com uma longa carreira na PT. Desde que, em julho de 2015, a empresa franco-israelita Altice comprou a PT mais de mil pessoas já mudaram de funções e de local de trabalho. E o número de trabalhadores do grupo encolheu de 11 mil para cerca de 9600 pessoas; são menos 1400 num ano e meio. Nenhum destes números é oficial porque a PT recusa-se a fazer qualquer comentário sobre esta matéria.

Há várias dezenas de queixas na Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) feitas ao longo de 2016 por trabalhadores e pelos sindicatos, e tem havido visitas de inspetores aos locais onde estão os trabalhadores sem funções, sabe o Expresso. “A ACT está atenta e a acompanhar a situação”, afirmou fonte oficial da ACT. E recusou-se a revelar mais qualquer dado sobre o número e o tipo de queixas. Foram feitos pedidos de audiências aos grupos parlamentares e pedidos de intervenção ao primeiro-ministro. Os trabalhadores queixam-se de assédio moral e de mobbing (severa pressão psicológica e social no mercado de trabalho). Tem sido um movimento discreto e com pouco eco, em parte também pelo medo que se instalou na PT e que leva as pessoas a optar pelo silêncio. O Ministério do Trabalho também está a seguir “atentamente” a situação.

(…)

Ver original completo >>

(AP Photo/Steven Governo)
(AP Photo/Steven Governo)
-0

Deixe um comentário

6 + 4 =

Facebook
Twitter
Google+
Linked In
RSS
Do NOT follow this link or you will be banned from the site!