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Como o Vice-Presidente de Angola comprou três apartamentos no Estoril: um para si, dois para os seus generais

Sílvia Caneco | Visão

 

A compra dos três apartamentos foi investigada pelo procurador Orlando Figueira. As suspeitas acabaram arquivadas, à semelhança do que aconteceu noutro processo de suspeita de branqueamento de capitais contra o Vice-Presidente Manuel Vicente.
Angola reagiu em comunicado, falando em “difamação” e “calúnia”. Que provas tem o Ministério Público para acusar o vice-presidente de Angola?

É provável que o Estoril Sol Residence, na marginal que liga Lisboa e Cascais, seja o prédio mais investigado em Portugal nos últimos anos. Manuel Vicente foi um dos muitos compradores que não escapou às suspeitas de branqueamento de capitais, depois de ter adquirido um imóvel no 9º andar, através de três sociedades offshore que também terão servido para comprar outros dois apartamentos no mesmo local para os seus principais generais: um para o general Dino, outro para Kopelipa.

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As suspeitas deram origem a um inquérito que foi conduzido por Orlando Figueira, o procurador que chegou a estar em prisão preventiva e na semana passada foi acusado de quatro crimes, entre eles corrupção passiva, por alegadamente ter recebido 760 mil euros de Manuel Vicente para arquivar processos que visavam o atual vice-presidente angolano e à data presidente da petrolífera Sonangol. Um dos processos que o Ministério Público considera ter sido oportunamente arquivado por Orlando Figueira foi precisamente este.

Depois de uma semana de silêncio anormal do governo angolano, do MPLA e até dos jornais do regime – que noutros tempos tinham sido muito críticos das investigações do Ministério Público português a angolanos –, o governo de José Eduardo dos Santos deu um segundo sinal de que Angola não gostara da acusação que vira sair de Portugal. Depois do cancelamento da visita da ministra da Justiça a Angola, prevista para os dias 22, 23 e 24 de Fevereiro, o governo angolano reagiu esta sexta-feira em comunicado à acusação do seu número dois, dizendo que aquele despacho que acusa Manuel Vicente de corrupção ativa ameaça as relações bilaterais entre Angola e Portugal.

O Ministério das Relações Exteriores de Angola classificou como “inamistosa e despropositada” e até como “um sério ataque à República de Angola, suscetível de perturbar as relações entre os dois Estados” a forma como foi divulgada a acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). A nota do ministério angolano frisa ainda que o resultado do inquérito judicial está a ser aproveitado “por forças interessadas em perturbar ou mesmo destruir as relações amistosas existentes entre os dois Estados”. E mais: diz que o mesmo atinge Angola na sua soberania “ou altas entidades do país por calúnia ou difamação”.

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