Foto: Paulo Spranger/Arquivo Global Imagens

Há ou não perigo em Almaraz?

Rosa Ruela e J. Plácido Júnior | Visão

 

No dia em que a ministra espanhola do Ambiente garante “toda a transparência” sobre o armazém de resíduos nucleares em Almaraz, um “cemitério nuclear” a 100 quilómetros da fronteira, recorde a reportagem da VISÃO no terreno. Afinal, a central espanhola que teve mais incidentes no primeiro semestre de 2016 é ou não perigosa?

Acontece a quase todos os que vão a Almaraz pela primeira vez, havemos de confirmar com Chema González, o ativista antinuclear que fará de nosso guia na região: na tentativa de fotografar a central nuclear de perto, é-se travado pela Guardia Civil e acaba-se a observar aves numas lagoas a poucos metros da cerca encimada pelo arame farpado que a rodeia. O contraste não podia ser maior. Deste lado, no parque periurbano de Arrocampo, nas afueras da vila, há águias-pescadoras e guarda-rios; do lado de lá estão dois reatores nucleares.

A primeira coisa em que pensamos é que o arame farpado não nos protegeria de uma eventual fuga de material radioativo. Logo a seguir lembramo-nos de que a radioatividade não se vê nem cheira, e tentamos esquecer a sms enviada durante a viagem por uma amiga parca em palavras: “Volta depressa.”

De Lisboa a Almaraz, no distrito de Cáceres, são 445 quilómetros que se percorrem de carro em cerca de cinco horas. Mas Segura, a fronteira mais próxima de Portugal, no concelho de Idanha-a-Nova, dista uns 100 quilómetros de Almaraz. É esta última distância que aparece sempre que se fala da central nuclear mais antiga de Espanha. Destes 100 quilómetros e de a central ter sido construída junto ao Tejo e utilizar a água do rio para o seu sistema de refrigeração.

Nos últimos anos também se tem falado muito do facto de a central de Almaraz ainda estar a funcionar apesar de os seus dois reatores, inaugurados em 1981 e 1983, terem sido projetados para produzirem energia durante trinta anos. “Esse é o tempo de vida normal”, nota Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero. “A partir daí, como está obsoleta, correm-se mais riscos.”

A central já devia ter encerrado, portanto, mas nada foi feito debaixo da mesa, note-se. À semelhança do que vem acontecendo no resto do mundo, o consórcio proprietário constituído pela Iberdrola, Endesa e Gas Natural (que também tem a central de Trillo, no distrito de Guadalajara, igualmente junto ao Tejo) obteve uma renovação da licença de exploração, até 2020. Mas agora os ativistas temem que o consórcio esteja interessado em estendê-la novamente por mais dez anos. Percebe-se o interesse: neste momento tem um ganho diário de €1 milhão porque a central já está amortizada.

(…)

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 Foto: Paulo Spranger/Arquivo Global Imagens
Foto: Paulo Spranger/Arquivo Global Imagens
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