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Só BES? Seremos muito mais lesados – 1

Jack Soifer *

 

Li, há dias, algo sobre o nosso futuro; aqui resumo:

“Muitos países querem-nos obrigar a usar cartão de crédito. A aliança entre a banca, as para-financeiras e as finanças, visa chocar. Dizem que dinheiro vivo é de criminosos, da droga, da evasão fiscal e de saco azul! Criam um inimigo externo, terrorista ou máfia. O pânico moral contrasta com a publicidade sorridente do dinheiro digital. Ele emerge futurista, higiénico, prático.

Três grupos quase-monopólios lucram:

A banca, que detém o Euro digital com o qual o dinheiro vivo concorre; ela irrita-se ao convertermos depósitos em dinheiro do Estado. Isso obriga-a à rede de caixas eletrónicas. Ela lucraria ainda mais se tudo fosse de banco para banco.

A indústria privada de cartões, Visa, Mastercard, etc., lucra ao usar a banca; racionaliza a transferência digital entre contas. Quem paga é o lojista, que eleva o preço. O pagamento em dinheiro não a requer, aí ela não lucra.

O Estado/BdP unido à banca quer monitorar. Em teoria todas as transações são gravadas, espionadas e analisadas. E a banca e o BdP podem inovar, por exempl, com taxas ou juros negativos, que lentamente reduzem os depósitos e nos coagem a gastar”.

E ainda vendem a informação das nossas escolhas de lojas e bens para o neuromarketing criar mails que apelam a cada pessoa para comprar supérfluos, usar o crédito de 15% ao ano, triplo do normal, que beneficia esses três quase-monopólios.

“Com a moeda local ele pagava salários, e taxas municipais; pois o município também a usava para pagar aos seus funcionários e fornecedores. Isto funcionou três anos sem a banca, até a economia se estabilizar”

Dinheiro é uma invenção antiga dos mercadores e banqueiros italianos do século XVI. Muito depois é que o Estado o monopolizou e só após a libertação do controlo aos fundos especulativos é que o digital expandiu.

ALTERNATIVA À BANCA

Em 2001 a Argentina recusou-se ao jugo do FMI, ao contrário do bom-aluno luso em 2011, e a banca não teve como pagar o Peso-moeda aos depositantes. Muitas indústrias estrangeiras, impedidas de retirar lucros abusivos, levaram as máquinas e deixaram os prédios. Em muitos municípios, sem que o Estado interviesse, apareceram as moedas municipais.

Um município pintou, re-organizou, sem tomar posse jurídica, apenas factual, prédios devolutos e permitiu a munícipes ali inscritos ter a cada dia ou dois, ou semana um stand para comprar/vender. Por exemplo, uma idosa reformada, que já não podia retirar os seus depósitos do banco, ao concluir que já não precisava de talheres de prata, ali podia vendê-los. Recebia o pagamento em moeda local, usada apenas naquele recinto, onde quase todas as empresas podiam estar representadas. Ela usava então a moeda ali recebida, para comprar alimentos, pagar taxas locais e até dez litros de gasolina para o seu Mini.

Indaguei ao dono da bomba de gasolina, que também vendia os depósitos na parte externa do prédio, como ele pagava à refinaria, que exigia Pesos. Ele disse que aquele valor vinha dos camionistas. Com a moeda local ele pagava salários, e taxas municipais; pois o município também a usava para pagar aos seus funcionários e fornecedores.

O Corralito e o Bono-Patacón funcionaram três anos sem a banca, até a economia se estabilizar.

YES, WE CAN, WE ALSO – TOGETHER!


Foto: Barlavento.pt

*Jack Soifer é engenheiro e gestor, ex-patrão da empresa sueca SWEDUC. Fez 298 consultorias em 12 países; entre outros, na Rússia, Brasil, Angola, China e EUA. Escreve artigos de opinião sobre o potencial de lucros com pequenos negócios. Autor de 41 trabalhos e livros; o mais conhecido é “A Grande Pequena Empresa”. Os mais recentes são “COMO Sair da Crise”, “Entrepreneuring Sustainable Tourism” e o  bilingue PORTUGAL PÓS-TROIKA? ECONOMIC DEMOCRACY”?

Contacto: jack.soifer@vidaeconomica.pt

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