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BES? Seremos muito mais lesados – 2

Jack Soifer *

 

Por alguma razão uma grande TV abordou a questão da falta de controlo do BdP, apenas a partir de 2011. Dizem que isto começou há uns vinte anos. Ficou claro após o encontro numa base aérea numa ilha atlântica entre quatro dirigentes, onde o Mr. Bosque queria impor uma guerra sob uma alegação que quase ninguém acreditava.

“megabanca estrangeira que lucra ao comandar um país falido, como já tinha feito à Grécia”

Um deles, Mr. Brilhante, sempre sorridente, e dizem íntimo da agencia a qual interessava a guerra, dizia sempre Yes, Mr. President. El Señor Don Azar, com menos sorte entre os seus eleitores, precisava de algo para uni-los, mostrar que era forte, que tinha apoios. E uma guerra, sabemos há séculos, em geral redirige a atenção do eleitor daquilo que são as forças renovadoras, para o que o poderoso inventa em nome de la Nación. E o Sr. Mole Arenoso, sempre com enormes ambições, sempre a fazer o que o poderoso espera que ele faça.

Aí começaram as transações de mil milhões para e depois de paraísos fiscais. E os empréstimos tomados à megabanca estrangeira que lucra ao comandar um país falido, como já tinha feito à Grécia.

Contra o universal conceito de prudência na banca, agências de rating, que lucram com a simpatia da megabanca, continuaram dar AA a Portugal, quando analistas sérios diziam ‘lixo’. Com juros baixos, a grande banca lusa, convicta que os dirigentes seriam ‘bons alunos’, emprestou à especulação imobiliária. Era simples emprestar aos promotores amigos da corte 100% de um projeto inflacionado, se pelo menos uns 10% fosse usado para o consumo supérfluo, onde o spread alto dá à banca enormes lucros.

Em 2004 Portugal passou a ser um dos países com renda média, com a maior venda de Porsche, BMW e outros de alta cilindrada. E de onde iam milhares de turistas em viagens que poucos alemães ou suecos têm recursos para comprar.

O BdP deixou de controlar os bancos, que lá têm amigos que os informa das reclamações dos lesados, mesmo antes de dar seguimento dentro do BdP. E o banco reclamado corrigia a falha, para que o BdP pudesse dizer ao utente que ‘não há nada de errado’. O mesmo na ANACOM, que deve controlar as telecoms PT, Optimus, etc, e nada controla dizendo que o problema é do utente, não do sistema.

O BdP deixou de controlar o banco ao emprestar a projetos supérfluos e inseguros, pois haviam interesses políticos do mais alto nível, dos partidos ou de algum dos seus dirigentes. A nível mais baixo, dos técnicos, economistas, engenheiros, etc. a palavra de ordem era “não estorva!”.

Em 11/11/04 publiquei que haviam fogos e construções a mais, que Portugal arriscava uma grave crise. Em 2006, publiquei quase semanalmente no NEGOCIOS provas de que os projetos do governo e das grandes empresas não tinham justificação  econômica.

O BdP deixou de controlar o banco ao emprestar a projetos supérfluos, e inseguros, pois haviam interesses políticos do mais alto nível”

Em 2008/9 publiquei quatro livros da série COMO SAIR DA CRISE. Em 01/03/10 disse no PRÓS E CONTRAS que Portugal já não estava em crise, mas em depressão, que é uma longa recessão. Para sair dela precisamos de reformas estruturais. Quando Fátima Campos indagou se elas levariam uns três anos, citei a Dinamarca, que precisou de 12 anos e os EUA, 8 anos.

Até hoje essas reformas, algumas até sugeridas mas não insistidas pela Troika, não foram iniciadas. Fora do Euro o BdP pode controlar o que quiser e o governo pode impor, como os Nórdicos, impostos a transferências para paraísos fiscais.

Onde não há E-volução arriscamos uma RE-volução. Cabe à comunicação social e aos opinion-leaders, propor melhores práticas. E aos poderosos abrir mão de uma nano parte do seu poder. Não é “melhor perder alguns anéis do que perder os dedos”? Change? YES, WE CAN – TOGETHER!   


Foto: Barlavento.pt

*Jack Soifer é engenheiro e gestor, ex-patrão da empresa sueca SWEDUC. Fez 298 consultorias em 12 países; entre outros, na Rússia, Brasil, Angola, China e EUA. Escreve artigos de opinião sobre o potencial de lucros com pequenos negócios. Autor de 41 trabalhos e livros; o mais conhecido é “A Grande Pequena Empresa”. Os mais recentes são “COMO Sair da Crise”, “Entrepreneuring Sustainable Tourism” e o  bilingue PORTUGAL PÓS-TROIKA? ECONOMIC DEMOCRACY”?

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