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Julgamento “Vistos Gold”.
Por que razão uma firma de jardinagem precisaria de Miguel Macedo?

Ana Henriques | Público

 

Empresa de que Marques Mendes e ex-ministro da Administração Interna foram sócios abria portas na contratação pública, diz acusação dos vistos gold.

Por que razão uma empresa que se dedicava à jardinagem e ao desmatamento havia de precisar de contratar uma firma que tinha Marques Mendes, Miguel Macedo e um amigo deste último, Jaime Gomes, entre os seus sócios? À pergunta feita esta segunda-feira pelos magistrados do tribunal onde está a ser julgado o caso dos vistos gold, o gerente da firma de jardinagem Fitonovo, uma das muitas organizações investigadas neste processo, respondeu de forma singela: “Ajudava-me a marcar reuniões. Punha-me em frente do cliente”. No caso em apreço, graças aos bons ofícios da JMF – Projects e Business, a empresa que Jaime Gomes tinha juntamente com o então deputado social-democrata e com o ex-líder do PSD, o gerente da Fitonovo conseguiu ser recebido pelo presidente das Estradas de Portugal, Almerindo Marques.

“E com alguma rapidez. Era um cliente estratégico com quem nunca nos tínhamos conseguido reunir nem arranjado um contrato importante” de desmatamento das bermas das estradas, recordou o gerente da Fitonovo, João Navarro, ouvido em tribunal como testemunha. Para que as portas da administração pública se lhe abrissem bastou-lhe contratar, primeiro à percentagem e depois à razão de seis mil euros por mês, a JMF. Pelo menos é essa a tese do Ministério Público, segundo o qual a única actividade comercial desta empresa consistia na facilitação de contactos privilegiados no âmbito da contratação pública. E João Navarro, que chegava a enviar a Jaime Gomes por correio electrónico o nome de membros de júris de concursos públicos em que tencionava participar, mensagens essas que depois eram reencaminhadas para outros sócios da JMF, não a desmentiu – embora alegue não se recordar de ter ganho nenhum concurso graças a esta assessoria comercial. “Mas qual era o interesse de enviar para Jaime Gomes o nome do presidente do júri de um concurso” aberto pela Câmara de Lisboa ou do Porto? – quis saber, a dado ponto, o presidente do colectivo de juízes do Campus da Justiça de Lisboa, Francisco Henriques. “O meu interesse era reunir-me com ele, apresentar a Fitonovo”, repetia o gerente da firma de jardinagem. O que lhe valeu um comentário ácido do magistrado: “Sabe que um concurso público não funciona com apresentações, não sabe?”.

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