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Directores de hotéis defendem “contratos zero” para os picos de procura

Ana Carrilho | Rádio Renascença

 

A possibilidade de recurso aos chamados “contratos zero horas” para fazer face aos picos de procura é uma das possibilidades que os diretores de hotéis discutem no seu congresso, que termina esta sexta-feira em Vila do Conde.

Em entrevista à Renascença, o presidente da Associação de Directores de Hotéis de Portugal (ADHP), Raul Ribeiro Ferreira, argumenta que há alturas em que os hotéis têm mais hóspedes e os trabalhadores efectivos não chegam para fazer face ao trabalho acrescido.

Sublinhando que o princípio deve ser o da existência de uma relação contratual, Raul Ferreira questiona “como é que se contrata uma pessoa só para um jantar ou um almoço, para um dia ou um evento? É uma dificuldade para os directores”, reconhece.

Normalmente recorrem às empresas de trabalho temporário. Mas o presidente da ADHP refere que o “contrato zero horas” – que é utilizado no Reino Unido – seria mais uma alternativa para a angariação de mão-de-obra, fazendo os necessários descontos para a Segurança Social e Finanças, mas sem passar pelas empresas de trabalho temporário que, “obviamente ficam com uma parte que poderia ir para os funcionários porque o que este recebem é muito poucochinho”.

Por isso, o “contrato zero horas” entra na discussão no congresso da Associação, em que que também participa um inspector da Autoridade para as Condições de Trabalho para avaliar a legalidade e impacto que teria no mercado de trabalho.

O que é o “contrato zero”?

O modelo “inventado” no Reino Unido há alguns anos estabelece que os empregados não têm que cumprir um número de horas certo mas, em compensação, têm que estar sempre disponíveis quando a empresa os chamar.

Cerca de um milhão de pessoas trabalham, actualmente, segundo este esquema em terras de Isabel II. O número aumentou cinco vezes desde 2011 e reforçou-se no período de recuperação da crise. Ou seja, não é uma resposta conjuntural e foi-se tornando natural.

Jovens, mulheres e estrangeiros são as pessoas normalmente abrangidas por este “contrato zero”, em que ganham apenas as horas que fazem.

Num dia podem ser 12, 14 ou mais e noutro, uma ou duas horas. Podem estar dias sem trabalho ou ser obrigados a trabalhar sem descanso durante semanas.

Recebem bem menos que os efectivos, mesmo que desempenhem a mesma função. Esta flexibilidade máxima faz com que as pessoas não possam dispor da sua vida. Descontos para a Segurança Social ou seguros assim como pagamento de impostos não há, na maior parte dos casos, a não ser que os próprios trabalhadores se responsabilizem por eles.

(…)

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  • Para uma breve história de uma soberania fictícia – 2 – canal C 09/05/2017 at 15:04

    […] a contribuir para a especulação, a movimentação improdutiva de capitais[12] e a pressão para o baixo salário, precário e sem direitos; os níveis salariais já ombreiam com os observados na China, de onde vêm capitais para dominar a […]

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